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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Audiência Pública - Economia Solidária Câmara Municipal SP 04/09/2013

BREVE HISTÓRICO DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO

A instituição Câmara Municipal teve sua origem na Antiga Roma, onde o vereador, chamado edil, era o funcionário responsável pela garantia e observância do bem comum. No Brasil, as Câmaras foram introduzidas pelos colonizadores portugueses, e em São Paulo começou a funcionar a partir de 1560, por ato do terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá.

A primeira sede da Câmara Municipal de São Paulo começou a ser construída em 1575e foi inaugurada, inacabada, em 1576. Em 1711, a Vila de São Paulo dos Campos de Piratininga foi elevada à categoria de cidade, e o Conselho da Câmara passou a se chamar Senado da Câmara, tendo aumentadas suas atribuições administrativas e coercitivas.


Em 1720, no Largo do Ouvidor, foi construído o Novo Paço do Conselho, sobrado onde funcionava o Senado da Câmara no andar superior e, embaixo, a cadeia e o açougue. Foi a fórmula encontrada para solucionar problemas gerados pelo precário abastecimento de carne e encarceramento de condenados pela justiça da pobre cidadezinha.

Em 1770, o prédio, que estava em ruínas, foi demolido, passando a Câmara Municipal de São Paulo a funcionar em outro espaço, locado, na Rua do Carmo. Em 1788, a Câmara foi transferida para um casarão construído no Pátio de São Gonçalo, hoje Praça João Mendes.

Proclamada a Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, o imperador d. Pedro I determinou a elaboração de uma Constituição para a nova nação. Concluída, foi outorgada pelo imperador em 25 de março de 1824. A partir daí, grandes mudanças ocorreram nas Câmaras Municipais brasileiras, pois o Poder foi dividido em quatro: Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador, sendo que este era competência do próprio imperador.


As Câmaras Municipais continuariam existindo e seriam presididas pelos vereadores mais votados, cabendo-lhes o governo municipal e a gestão econômica das vilas e cidades.

Em 1828, a Carta de Lei do Império trouxe maiores mudanças para as Câmaras Municipais. Retirou-lhes a função judiciária; determinou eleições diretas para vereadores, cujo número passou a ser nove nas cidades e sete nas vilas; e aumentou o mandato eletivo para quatro anos, colocando-as sob a tutela dos Poderes Legislativos superiores, que limitaram sua atuação.

As tentativas de reduzir o poder das administrações locais não pararam por aí. Em 1835, foram criados no município de São Paulo os cargos de prefeito e subprefeito, os quais, por resistência dos vereadores, foram extintos em 1838.

Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, novas mudanças ocorreram e as Câmaras Municipais foram fechadas por decreto do Governo Provisório. No ano seguinte, a cidade de São Paulo passou a ser governada por um Conselho Municipal de Intendências, escolhido pelo governo estadual.


Em 1891, foi promulgada a Primeira Constituição Republicana, que adotou o regime republicano, presidencialista, federativo e democrático liberal. A tripartição do poder em Executivo, Legislativo e Judiciário, harmônicos e independentes entre si, previa a autonomia municipal. Nesse mesmo ano, a Câmara Municipal de São Paulo teve aumentado para 16 o número de vereadores.

No ano seguinte, retomou suas atividades. Em 1898, a Lei Municipal n°374 criou o cargo de prefeito municipal, e a Câmara Municipal de São Paulo passou a exercer a função legislativa, perdendo, assim, o exercício da função executiva.

Foi a própria Câmara que indicou o primeiro prefeito da Cidade de São Paulo, Antônio da Silva Prado (1899 a 1911), sendo seus sucessores eleitos pelo voto popular.
A Câmara Municipal paulistana, a exemplo das demais Câmaras Municipais brasileiras, sofreu um duro golpe com a Revolução de 1930, quando teve seus membros depostos e suas atividades suspensas, por decreto do então presidente Getúlio Dornelles Vargas.

Em 1934, instaurou-se uma nova ordem Constitucional e, no ano seguinte, com a promulgação da Lei Orgânica dos Municípios, a Câmara Municipal de São Paulo voltou a funcionar, por um breve período, no Palácio do Trocadero, atrás do Theatro Municipal, sendo novamente fechada em 1937, pela legislação do Estado Novo.


Com o fim do Estado Novo, em 1945, e com a promulgação da Carta de 1946, foram convocadas eleições, inclusive para vereador, realizadas no ano seguinte. O grande vencedor foi o Partido Comunista, que conseguiu eleger a maior bancada de vereadores, os quais, após uma manobra política, tiveram seus mandatos cassados.

Em 1º de janeiro de 1948, 45 vereadores tomaram posse solenemente, dando início à 1ª Legislatura. Naquela época, a Câmara Municipal de São Paulo localizava-se no Palacete Prates, na Rua Líbero Badaró.

O Golpe Militar de 1964 acabou por produzir a Constituição da República Federativa do Brasil de 24 de janeiro de 1967, com redação oficial dada pela Emenda Constitucional n° l, de 17 de outubro de 1969, que reduziu o número de vereadores para 21. Também em 1969, no dia 7 de setembro, a Câmara Municipal de São Paulo mudou-se para o Palácio Anchieta, no Viaduto Jacareí, n° 100, seu atual endereço.

Fruto da insatisfação geral, a abertura democrática iniciou-se com a vitória esmagadora do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), oposição ao governo militar, sobre a Aliança Renovadora Nacional (Arena), representante da situação.

Na década de 80, grandes mudanças aconteceram no cenário político brasileiro. Teve início o processo de anistia, as eleições para os governos dos estados voltaram a ser diretas e foi restabelecido o pluripartidarismo.


No âmbito municipal, a Emenda Constitucional n° 14, de 9 de setembro de 1980, estendeu o mandato dos prefeitos (exceto os nomeados), vice-prefeitos, vereadores e suplentes até 1983, para que em todo o País as eleições do município fossem realizadas simultaneamente às eleições gerais para deputados. Como consequência, na Câmara de São Paulo, a 8ª Legislatura teve seis anos de duração (1º/2/1977 a 31/1/1983).

Ainda em continuidade ao processo de abertura, a Emenda Constitucional n° 22, de 29 de junho de 1982, convocou eleições diretas para prefeito, vice-prefeito e vereadores. Como as anteriores, deveriam ser realizadas ao mesmo tempo em todo o País. Para tanto, a Câmara Municipal de São Paulo prorrogou a duração de sua 9ª Legislatura (1º/2/1983 a 31/12/1988).

Essa Emenda Constitucional possibilitou que nos municípios com mais de um milhão de habitantes, como no caso de São Paulo, o número de vereadores fosse ampliado para 33.


Promulgada a atual Constituição da República Federativa do Brasil, em 5 de outubro de 1988, o número de vereadores da Câmara de São Paulo foi novamente ampliado, passando, na 10ª Legislatura, a 53.

Tendo o artigo 29 da referida Constituição estabelecido que o município deveria ser regido por Lei Orgânica, a Câmara Municipal de São Paulo foi convertida em Assembleia Municipal Constituinte e, em 4 de abril de 1990, promulgou a Lei Orgânica do Município de São Paulo, vigente até os dias atuais. Esta Lei normatiza e estrutura os poderes Executivo e Legislativo Municipais, confere-lhes competências e rege as atividades administrativas da cidade de São Paulo.

Desde a 11ª Legislatura (1º/1/1993 a 31/12/1996), por ter São Paulo ultrapassado cinco milhões de habitantes, a Câmara Municipal passou a ter 55 vereadores, limite máximo estabelecido pela Constituição Federal. Eleitos pelo voto popular, em pleito realizado a cada quatro anos, os vereadores representam os mais diversos segmentos da sociedade.


Ref:http://www.camara.sp.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12190&Itemid=209

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O Imaginário do Rei____Visões sobre o Universo de Luiz Gonzaga na Oca



O tema da exposição da Oca é o mestre sanfoneiro Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Além dos discos, estarão na exposição itens utilizados por Gonzagão em sua carreira, como livros, fotografias e esculturas.


Além de quatro filmes, a exposição classifica Luiz Gonzaga como um dos cinco pilares da música popular brasileira ao lado de Pixinguinha, Noel Rosa, Dorival Caymmi e Tom Jobim, onde ele é responsável pela recriação da música nordestina ao “reinventar o Nordeste” junto com seus parceiros. Gonzaga é responsável pela popularização desse estilo musical dentro do Brasil e por seu sucesso no exterior


Ao todo, estão reunidas obras de 60 artistas de todas as regiões do país, entre fotografias históricas e raras, livros e discos. Podem ser vistas também mais de 160 peças de arte criadas, em sua maioria, com exclusividade para a mostra coletiva.  


Algo que nos chamou bastante a atenção foram às fotos tiradas ao longo da vida do artista. 




São 25 imagens retratando diversas épocas de sua carreira, como quando tocava valsa e se vestia de paletó e gravata mostrando as mudanças/influencias pelas quais ele passou durante sua vida.


Sem mais, até a próxima reunião do Colóquio Cultural na Assembléia legislativa.  

Abraço a todos

Manoel
www.foradassombras.blogspot.com.br

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Mestres do Renascimento_____CCBB

                                             

Com obras históricas de Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, Ticiano, Tintoretto, Giorgione, Veronese,Correggio, Bellini e outros, visitamos a mostra "Mestres do Renascimento" ofertada pelo Centro Cultural Banco do Brasil ao Colóquio Cultural Parque Ibirapuera.


Através dela passamos a compreender um pouco melhor a evolução deste movimento artístico ocidental que foi o Renascimento a partir da técnica de pintura em camadas (velatura) e com pinceladas esfumaçando as tintas onde se destaca Ticiano.


Artistas e Obras Visitadas



                               Alvise Vivarini - Arco trionfale del doge Niccolò Tron, 1471-1473
                                                   (Arco de triunfo do doge Niccolò Tron)

Líder antes de Giovanni Bellini, Avise Vivarini fazia parte de uma dinastia de pintores. Seu pai era Antonio Vivarini e seu tio, com quem aprendeu técnicas de pintura, foi Bartolomeo Vivarini. As obras do artista mostram certo adiantamento sobre seus antecessores. A arquitetura e perspectiva de seu trabalho são avançadas para a época. Muitas igrejas em Veneza possuem obras de Vivarini. Outras composições do pintor estão em Treviso, Milão, Londres e Berlim.



Vittore Carpaccio Apparizione dei crocifissi del monte Ararat nella chiesa di Sant'Antonio di Castello, depois de 1515

Vittore Carpaccio (c. 1460 - 1525/1526) foi um pintor italiano da escola veneziana, que estudou com Gentile Bellini. Ele é mais conhecido por um ciclo de nove pinturas, a lenda de Santa Úrsula. Seu estilo era um tanto conservador, mostrando pouca influência das tendências humanistas que transformaram a pintura renascentista italiana durante sua vida. Ele foi influenciado pelo estilo de Antonello da Messina e arte neerlandesa Precoce.


GIROLAMO DA BRESCIA -Ritratto di gentiluomo com flauto, c. 1526 - Retrato de Homem com flauta


Conhecido por Girolamo da Brescia, o artista apresenta um estilo marcado pelo lirismo silencioso. Embora a grande parte de seu trabalho tenha sido esquecida, o interesse em Girolamo foi revivido no século XX. Suas obras ganharam um lugar ao lado de outros pintores da Alta Renascença. Por volta dos 40 anos, Girolamo foi morar em Veneza, onde teve seu período de maior produção. Lá, recebeu comissões para a elaboração de retratos e retábulos para o duque de Milão, Francesco Maria Sforza.

SEBASTIANO DEL PIOMBO
Ritratto Del médico Arsilli, 1516 - (Retrato do médico Arsilli)

Óleo sobre madeira 85,0 x 69,0 cm


Sebastiano del Piombo nasceu ao redor de 1485 em Veneza e morreu em Roma em 21 de Junho de 1547.O nome verdadeiro do pintor era Sebastião Luciani, conhecendo-se por Viniziano. Aprendiz em Veneza de Giovanni Bellini e depois de Giorgione, cujo estilo teve forte influência sobre ele, foi para Roma em 1511 chamado pelo banqueiro Agostino Chigi, e em Roma decorou com afrescos a Villa Farnesina. Passou um ano mais em Veneza, de 1528 a 1529 e depois a vida toda em Roma. Na cidade, em 1531, recebeu o título honorífico de Protetor do Selo da Curia - o pombo ou piombo - origem de seu nome futuro.Executou principalmente grandes painéis para igrejas em Roma, mas fez alguns retratos. Rafael e Michelangelo se deixaram influenciar por sua obra, marcada pela monumentalidade e vigorosa linguagem formal. Belas peças são sua Transfiguração de Cristo e a Flagelação de Cristo, na capela Borgherini da igreja de San Pietro in Montorio.




FRANCESCO FRANCIA

Madonna com Il Bambino e San Francesco, c. 1510 - Virgem com Menino e São Francisco
Óleo sobre madeira 27,5 x 21,5 cm


Francesco di Marco di Giacomo Raibolini, mais conhecido como Francesco Francia (c. 1450 - 1517), foi um pintor, ourives e medalhista italiano, nascido em Bolonha.Inicialmente, Francia dedicou-se à ourivesaria, tendo produzido obras em prata e nigelo, destruídas com a expulsão dos Bentivoglio de Bolonha, em 1506. A primeira menção à sua atividade como pintor é de 1486, e sua mais antiga obra conhecida é a Madona Felicini,, assinada e datada de 1494.



II MORETTO - Alessandro Bonvicino 
Ritratto di gentiluomo com lettera, s.d. - Retrato de Homem com carta
Óleo sobre tela - 117,0 x 99,6 cm


Um dos melhores pintores do norte da Itália no século XVI, Alessandro Bonvicino, conhecido por Moreto, foi um aplicado estudante das obras de Ticiano. Ele sofreu grande influência dos pintores G. Itomanino e Rafael. Em suas telas, Moreto traz uma forma natural e atraente, trata o sentimento de maneira devocional e trabalha com cores frescas e opulentas. Em 1521, atuou com Girolamo Romanino, na “Cappella del Sacramento”, antiga catedral da Bréscia. Ali, ele finalizou uma “Última Ceia”.




LORENZO LOTTO
Óleo sobre tela - 145,8 x 166,0 cm
Adorazione dei Patori, 1525 – 1535 - Adoração dos Pastores


Lorenzo Lotto é considerado um dos mais talentosos artistas de sua geração. Dotado de uma individualidade estilística, ficou conhecido por seus retratos e suas pinturas com temática religiosa. Lotto trabalhou em diversas cidades italianas. De 1509 até 1511, ficou encarregado de produzir a decoração dos apartamentos papais do Vaticano. Respeitado e bastante conhecido no norte da Itália, antes de falecer, ele entrou para a vida religiosa, tornando-se irmão leigo na Santa Casa de Loreto.



RAFAEL
Cristo benedicente, 1506 - Cristo Abençoado
Óleo sobre madeira - 31,6 x 25,0 cm


Rafael foi um dos mais importantes personagens da alta Renascença Italiana. Filho de Giovanni Santi, pintor da corte do duque de Urbino, Rafael possuía um refinamento que o ajudou a angariar sucesso nas altas esferas. O artista parece ter adquirido a experiência de Michelangelo em anatomia humana, além de ter sido influenciado pelas composições simples, a iluminação e a intimidade emocional de Leonardo da Vinci. Apesar disso, Rafael desenvolveu um estilo próprio, de grande apelo.

MICHELANGELO
Studio di fortificazione per La porta al Prato, c. 1529- 1530. - Estudo de fortificação para Porta al Prato.Lápis, bico de pena e aquarela sobre papel - 38,8 x 55,8 cm


Celebrado como o maior artista da pintura, da escultura e da arquitetura, Michelangelo Buonarroti é um dos nomes mais respeitados do Renascimento italiano. Em 1508, ele foi chamado a Roma pelo papa Júlio II para pintar os afrescos da Capela Sistina. A pintura foi aclamada como obra-prima e Michelangelo como o maior artista de seu tempo. Nas décadas seguintes, ele trabalhou intensamente até a velhice e continuou a ser bem-sucedido em vários campos, entre os quais a poesia.



TICIANO
Maddalena, 1550-1555
Óleo sobre tela 122,0 x 94,0 cm


Tiziano Vecellio, o conhecido Ticiano, foi um pintor italiano da chamada Escola Veneziana que criou uma importantíssima obra pictórica. Ele é considerado como um dos maiores retratistas de seu tempo, especialmente porque tinha muita facilidade em captar as características pessoais daqueles que retratava.Ticiano nasceu na pequena Pieve di Cadore, na província de Belluno, perto de Veneza, por volta de 1488. Quando ele nasceu, nasceram também dois outros gigantes da pintura italiana: Rafael e Michelangelo. 


GIORGIONE
Madonna col bambino tran San Giovanni Battista e uma Santa, 1496- 1500- Virgem com o Menino entre São João Batista e uma Santa
Óleo sobre madeira 55,0 x77,0 cm


Giorgione (Castelfranco Veneto , c. 1477 — Veneza, fins de 1510) como é conhecido Giorgio Barbarelli da Castelfranco, foi um pintor do Renascimento na Itália. Por ter morrido com apenas 33 anos, deixou uma obra pequena em quantidade, mas de alta qualidade e grande influência em seu tempo. A vida de Giorgione foi descrita por Vasari, em seu livro Vidas.




LEONARDO DA VINCI
Leda e Il Cigno, s.d. - Leda e o cisne
Óleo sobre madeira 115,0 x 86,0 cm
(reparem na asa acolhendo carinhosamente a mulher)

Leonardo da Vinci é considerado a peça-chave da Alta Renascença. "Mona Lisa" (1503-1506) foi a obra que o notabilizou, cativando amantes da arte há séculos. Contudo, sua atuação não se restringia às pinturas. Ele também foi arquiteto, matemático, escultor, engenheiro, entre outros ofícios. O conjunto de sua obra é amplamente marcado pela genialidade. A habilidade de organizar criativamente os espaços e planejar composições harmoniosas são exemplos da grande capacidade artística de da Vinci.

Sem mais, sou grato pelo dia de hoje por ter conhecido os Mestres do Renascimento e incrementado um pouco mais minha bagagem cultural

Manoel
www.foradassombras.blogspot.com.br

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Alex Vallauri: São Paulo e Nova York como suporte



 Com vivacidade, humor e alegria, Alex Vallauri acrescentou formas, cores e imagens inovadoras, que revolucionaram a maneira de se ver e de se fazer arte no Brasil, aos valores estéticos convencionais do desenho, da gravura e da pintura.


O artista percebeu que a obra de arte só poderia ser realmente entendida se o autor se preocupasse também com os anseios e as aspirações das pessoas. 


Por isso substituiu as técnicas gráficas tradicionais, executadas entre as quatro paredes de seu ateliê, por grandes matrizes que estampava à surdina nos muros e paredes da cidade; criou, assim, signos imediatamente identificados, amados pela multidão anônima que diariamente passava por aqueles lugares. 


Uma atitude corajosa de um audacioso artista que, desvinculado de falsas vanguardas, almejava a comunicação e a fruição estética: apenas arte, por meio da qual o humor, a ironia, a crítica e o prazer de viver eram magistralmente transmitidos para a população.



Depois de uma fase inicial expressionista, Alex Vallauri encontra na pop art a sua principal inspiração. 



No final dos anos 1970, o kitsch, símbolo estandardizado da indústria de sonhos típica das grandes cidades, disseminado em São Paulo, Nova York, Chicago e nas principais metrópoles, foi percebido e anexado ludicamente em suas obras.



Um jogo no qual a fantasia se misturava com a realidade confusa do cotidiano: uma reinvenção pessoal de Alex Vallauri da pop art nos trópicos…






Em 1978, o artista dá início à sua faceta mais conhecida, a de grafiteiro. Assim a sua Bota preta inicia seu percurso em São Paulo. No começo, timidamente, para em seguida, num voo mais amplo, chegar aos Estados Unidos e se transformar em cartão postal de Nova York.










Da mesma forma que os artistas da pop art Andy Warhol, Claes Oldenburg, Tom Wesselmann, Jasper Johns, Robert Rauschenberg, Roy Lichtenstein, James Rosenquist e George Segal, entre outros, que acreditavam que os objetos e materiais funcionavam como coautores da obra, Vallauri confirmou essa nova maneira de fazer arte ao idealizar a instalação A festa na casa da Rainha do Frango Assado para a 18ª Bienal Internacional de São Paulo. 


Os objetos da obra expressam intrinsecamente o essencial, instalam uma certa verdade inalcançável à arte por outros meios, testam os limites sacralizados da pintura – mais uma tradução particular, convincente e arrojada deste artista para a pop art latino-americana.

Uma cosmogonia visual que ampliava as discussões sobre a própria criação artística e cuja meta era alcançar um diálogo singular com diferentes técnicas, objetos e/ou materiais.

Assim como os artistas da arte pop almejaram transformar suas obras em múltiplos assinados e numerados para a democratização e o acesso de um número maior de usufruidores/colecionadores, Alex Vallauri, também conseguiu, em parte, popularizar suas criações no Brasil. 



Elas foram instaladas primeiro nos muros e nas paredes de São Paulo, e posteriormente em Nova York, onde se transformaram em cartões-postais. Por serem diferenciados, foram impressos como símbolos vivos de Nova York. Seus grafites coloridos, diversificados e instalados em pontos incomuns daquela cidade – Soho, Greenwich Village e até na Broadway – foram depois registrados fotograficamente pelo próprio Vallauri, que os transformou em uma edição limitada de fotocópias coloridas, assinadas e datadas pelo autor e agora apresentados nesta exposição.



Desenhista, gravador, pintor e designer, Alex Vallauri foi respeitado em todas as suas atividades artísticas. Apenas o sucesso comercial lhe foi negado, o que jamais o impediu de continuar a criar arte – apenas arte, na qual o humor, a ironia, a crítica e o prazer de viver eram passados para a população sem retoques ou arrependimentos. Um artista transformador, perfeitamente engajado no seu tempo e no seu espaço. Uma carreira desenvolvida num curto intervalo cronológico: entre 1967 e 1987.


Ele intuitivamente pressentiu essa brevidade temporal. Tinha pressa de entender, captar e vivenciar o pouco tempo que a vida lhe destinara; pesquisava e produzia sem parar, nunca se acomodava. Ele queria mais, precisava de mais. O tempo foi demasiadamente curto para uma produção artística tão farta e boa.



João Spinelli

Curador

Ref: http://www.mam.org.br/projetos/alex-vallauri-sao-paulo-e-nova-york-como-suporte/